25 de novembro de 2011

Ruidosos e prepotentes.

Via-se nas frestras das paredes uma gosminha branca, meio esverdeada, era uma noite chuvosa, e o teto pingava sobre minha testa.
Eu senti por algum momento que a merda ia transbordar. Que tudo ia por água abaixo. Um dilúvio de insanidades. Eu fumava, bebia e comia ao mesmo tempo.
Naquele mesmo dia eu estava insatisfeita com tudo. A conta no banco era mais vermelha que sangue, a casa um tormento, a comida apodrecendo e eu viajando nos pensamentos.
Os cacos de vidro faziam reluzir umas formas legais pelo cômodo apertado. E eu ali parada olhando aquilo tudo.
As mãos tremiam, os pés formigavam, a bunda doía, a cabeça rodava, mas eu não mudava de posição por pura preguiça.
Quando parou de chover e a gosma branca esverdeada secou, eu resolvi que estava na hora de me levantar e fazer algo acontecer. Já havia pensado demais.
Lavei a louça, organizei as roupas, varri, passei pano, tirei o lixo, pulei, gritei, esperneei...
Eu podia ver o sangue pulsar... Eu podia ver tudo acontecer. as moléculas passavam na minha frente, sem me incomodar.
O espelho passou a refletir minhas inperfeições, e foi ali que decidi tomar um banho, passar uma maquiagem e me arrumar.
Sai.
Dei um, dois, três passos...
Resolvi voltar.
Um, dois, três...
Não sei o que faço.
Era horrivel não decidir. Não ter certeza. Ficar em dúvida.Ver o sangue saltando, o coração pulsando novamente.
Um, dois...
Fui até o bar mais próximo e pedi uma dose.
Naquela dose, tudo desmoronou.
Então me perdi por dias.
Quando retornei, a casa era um tormento, a comida apodrecia e meus pensamentos gritavam "saia daqui" mas meu coração implorava pra que ficasse.