11 de agosto de 2012

A menina dos olhos

O vestido flutuante, florido, delineando as curvas fazia contraste no centro paulistano...
As pintinhas no rosto, o cabelo, o olhar inocente e a boca aveludada lambendo um sorvete...
Era de matar o velho, ouvindo música de todo o tipo e querendo ser gente grande...
Brincava com a sorte, com a morte e com o coração do psicólogo...
Toda a praça se voltava pra ela, o seu ego inflado, inchado, borbulhando prazer...
E os mocinhos piscavam, as meninas caiam da bicicleta quando ela passava cantarolando e cheirando as flores que carregava nas mãos...
Ela jogava a vida pro alto, curtia o mundo e brincava de ser feliz...
Seu sorriso cativava, sua inteligencia escandalizava...
Era Lolita, era atriz...
Eu me perdi no tempo...
Soltei lágrimas, revivi aquele sentimento tolo...
Eu ficava besta, um velho sem vergonha, com as mãos nas calças... não posso e não devo dizer tais coisas.
Mas era bela, a vida dela... Ah! como era bela...

Meus dias, anos e horas se passaram, eu larguei do mundo e fui viver enclausurado...
Todo dia eu pensava "porque a deixei ir tão fácil?"
E me lembrei q era muito jovem pra viver o que eu queria...
Eu realmente não podia.

Agora ela volta mulher, com olhar de menina...
E eu vejo o quanto os prédios fazem diferença...