2 de janeiro de 2015

Luminâncias



Em meio as árvores de grandes copas, sussurrava a natureza. 
O sol queimava cada pedaço de ser vivo, tocando suave com luz ardente e deixando evaporar as gotículas de água.
Tudo sublime demais.
O canto dos grilos morrendo, dos pássaros fazendo seus ninhos, das formigas carregando dez vezes o seu peso. 
As flores iam murchando por conta do calor e o som disso tudo ia contagiando o ambiente todo. 
Deixa ver quais as cores te fazem sorrir.
Os sabores dos frutos, os cheiros dos temperos que aguçam sua fome de viver.
As cores dos sentimentos profundos...
Colore a vida num sonho.
Deixando as luminâncias tingirem sua alma.

Das cicatrizes na alma e das marcas no corpo.

Estava sentada entre os baldes e garfos de jardinagem, no meio da terra, onde nunca havia ficado porque odiava se sujar.
Era exatamente onde deveria estar.
Estava tão quente, o suor escorrendo pela testa e vibrava quando sentia uma brisa nos cabelos que antes eram curtos e despenteados.
Era assim inconstante. Porém, hoje em dia tomando mais cuidado para não cair no vão entre a felicidade e a tristeza. Pensava no passado o tempo inteiro, mas não se encontrava lá. Apreciava o saudosismo de longe e com muita moderação... Vez ou outra as lágrimas lavavam seu rosto e sua alma. Mas só assim conseguia prosseguir exalando plenitude e sentindo o aroma suave das flores do caminho, sem se importar com as dores que têm causado cada um desses espinhos.


1 de janeiro de 2015

Saudosidade

(Para Ni)

Estava eu tentando relembrar velhos passos que me fizeram chegar onde estou.
Haviam duvidas que não conseguia responder, pelo simples fato de não conseguir entender aqueles caminhos.


Quando foi que me lembrei de reler algumas palavras jogadas no papel?
Não sei e nunca soube refazer sentimentos. Assim como nunca soube reescrever poesias.
Não consigo e nunca consegui corrigir gramatica, métrica ou sentimento.

Como vim parar na beira da pia, num calor insuportável e com vontade de estar embaixo de uma cachoeira?
Eu costumava escrever poesia e prosa como ninguém. E havia alguém que me compreendia.
Não sei e nunca soube corrigir sentimentos.

Eu vinha pensando nessas palavras e já na hora de coloca-las no papel, me perdi por completo... Ainda me perco por completo. Onde estive esses anos? Quem eu era?
Nem eu mesma sei.

Então consegui ver seu sorriso. Senti sua felicidade... Deus, como é bom ver alguém feliz. Como é doce o sabor de um sorriso!
Naqueles dias tão insanos, meu egoísmo era tanto que não conseguia sentir esse sabor delicado.
Empatia nunca foi meu forte.
Jamais eu conseguiria corrigir sentimentos.

Mas senti que aquele ainda é amor. Porque definitivamente eu amo vê-la feliz, mesmo tão longe, mesmo tão irreal.



Trilha: Wild Nothing