7 de dezembro de 2015

Fúria

Querida V.

Um vento gelado entra sutilmente pela janela, deixando os pelos do meu corpo arrepiados.
Eu tentei escrever algo, mas as dores que eu sentia eram intensas. 
Na noite anterior eu fui nocauteada por um infortúnio da natureza. 
Tudo vai doer por mais alguns dias.

Quando eu paro para pensar em tudo o que já passei por essa vida, deixando a nostalgia me levar pra lugares longes, eu volto assim meio cansada, meio triste. Você sabe como é.

Preciso te contar...
Um dia eu tentei ser tudo o que eu odeio.
Um dia eu tentei ser o que as pessoas esperam que eu seja.
Fui tão infeliz nessa tentativa, que preferi me desconectar desse mundo que me parece tão maldito e cruel.

Você percebeu que eu voltei a ler, voltei a escrever... mas ainda não decidi se voltarei a ter algum outro tipo de movimento auto destrutivo, já que ler e escrever geralmente acabam com a gente.
Colocar a mente pra trabalhar não é pra qualquer um...

Eu tenho minhas convicções, meus desejos, minhas inspirações, meus ideais. Só não esperava que isso fosse enfurecer tanto as pessoas que me rodeavam e todas as outras do mundo.

Quando decidi que não mais seria o que elas esperavam de mim, parecia que eu iria voltar a ser o que eu era antes...
Mas as pessoas não entendem que depois de uma experiencia tão caótica, é impossível sermos exatamente o que éramos antes. Parece que nem você entendeu isso ainda.

Por isso estou aqui.
Cuspindo essas palavras enquanto os pelos do meu corpo ficam em pé...
Já não sei se é por causa do vento gelado ou por causa do frio na barriga que dá todas as vezes que penso que algo está para mudar.

Mudança é algo sempre complicado.
Mas não vou me deixar levar pelo o que o mundo espera de mim.

Por isso estou partindo.
Vou pra onde eu possa ser quem eu quiser.
Não me espere.

Love.
C.