6 de dezembro de 2011

Suburbia.



Os pés latejando dentro do all star encharcado. Eu percorria ruas estreitas, cheias de pedregulhos.

Então via-se luzes para todos os lados, sem saber diferenciar se eram luminárias, postes de energia, faroletes, faróis de carros, giroflex de viaturas ou estrelas cadentes que invadiam a terra.
Era um turbilhão de coisas.
Passei por tantos lugares e vi tantos rostos.
Peguei nas bundas mais safadas, bebi nos copos mais sujos, vomitei no chão e nas calçadas. E vi o demônio vindo me buscar e o mandei tomar bem lá... naquele lugar.
Não... Não foi dessa vez que eu fui.

Eu insisti em ficar.
Eu insisti em ver mais uma striper descendo o pole dance. Insisti em ver traficantes correndo do perigo das ruas. Insisti em derramar mais algumas lágrimas por absurdos.
É... eu sobrevivi... Sobrevivi a tudo de podre e imundo que a vida pôde oferecer. Sobrevivi à minha própria destruição... Sobrevivi até a alguns amigos falsos que quiseram me levar daqui.
Então, eu o vi de novo. Eis o capeta me aparece nessa noite turbulenta e cheia de anseios... gritando e xingando de tudo quanto é nome...
E eu com olhar de desprezo... Me achando a tal.
E ele olha pra mim e diz:
- Gatinha, não vim te levar dessa vez... Vou te deixar pra sofrer mais!
E eu em toda minha soberania e prepotência retruquei:
- Nem vem, Coiso ruim! Meu coração é de pedra e minha vivencia é de gelo! Ninguém me quebra!
E ele naquela vermelhidão toda só se foi... deixando rastro de cheiro podre no ar.
E eu continuei nas minhas andanças...

Só podia ser coisa do Demo.
Eis que me apaixono uma, duas, três, quatro vezes... Coração de pedra que quebra em quatro partes tão facilmente...
Nunca vi... Nunca tinha chorado tanto...
Elas tinham curvas lindas e preciosas...
E palavras malogradas que me fizeram perder as estribeiras...
Eu não sabia que a paixão poderia fazer eu me perder...

Uma ultima visita do Maldito. E ele só me disse:
- Essa será seu pecado... Sua alma é minha. Seu ultimo sofrimento. Seu ultimo lamento.
E meus olhos arregalaram de pavor...

Percorri todas as ruas fugindo.
Deleitei todas as vadias imundas para não me apaixonar.

Corroí todas as narinas, correndo as ventanias...
E dei de cara com a paixão.

Eu não queria, e nem deveria ter deixado acontecer.
Mas aconteceu.

Ela veio mansa.
Ela veio mansa...
Ela veio rendida.
Ficou por dias, meses, anos... E me deixou. De repente. Sem avisar. Sem preparar o terreno. Depois de tantas histórias. Depois de tantos beijos trocados, depois de tantas promessas...
Os olhares eram verdadeiros. Os toques eram sublimes...

As ruas que percorremos. Os prédios. Os pedregulhos. Eu lhe mostrei a vida, talvez. Eu lhe mostrei as angustias de uma vida canibal.
Eu queria vencê-la. Eu queria dominá-la. Mas eu perdi o controle. De mim e dela.
Enlouqueci.
Percorri ruas desconhecidas, cheias de pedras imensas e prédios em ruínas... Lembrei do passado malogrado. Lembrei de Lúcifer me encarando e me desafiando.

Os vento batia forte essa noite. A lua estava cheia. Os gatos estavam agitados.
Ela olhou em meus olhos e disse:
- Acabou.

Então eu fui para o quarto. Nunca mais vi as ruas, os pedregulhos, as vadias, os copos, os corpos...
Nunca mais vi nada...
Na cama, o sangue escorria... Fétido, podre. E os meus olhos sangravam... Enquanto Lúcifer sorria no canto do quarto escuro.

Ouvi a porta bater. E ela se foi.
Era isso.
Era o fim.

As ruas ficaram para trás.
Não mais as vi.
Nunca mais.





4 de dezembro de 2011

Um tiro no limbo


para ler ouvindo: http://www.youtube.com/user/MassiveAttackVEVO#p/a/u/0/pvu2iQXJ30s

Eu estava rodando.
Meu mundo girava em torno de meus sonhos mais reais. Tudo estava constante. Os dois mais dois sempre resultavam em quatro.
Matemática perfeita, para o mundo perfeito em perfeitos órgãos. Notas que tocavam sublime música para os ouvidos. Imagens surreais para os olhares mais perfeitos.
Do alto das escadas eu podia ver o pôr do sol. Eu podia ver o luar. Eu podia sentir o vento.
No silêncio, eu ouvia meus pensamentos e meus objetivos se concretizavam.
Nas ruas os olhares me viam sã. Nas ruas meu sorriso cativava. Nas ruas meus desenhos saltavam.
Meus pés. Minhas mãos.
Meus.
Minhas.
Meus.
Eu.
Ego.
Alter.
Super.
Cêntrico.

Eu te vi. Te senti. Te ouvi. Te chorei.
Meu mundo desabou.
Passei a viver um turbilhão de pensamentos em torno de um outro ser. Sentimentos que não condiziam com a matemática tão perfeita. Dois mais dois estavam dando dez, vinte trinta milhões de beijos em segundos perfeitos... Movimentos absolutos sem pontuação exata.
Me perdi totalmente. A música não fazia mais sentido se não fosse ao seu lado. Os olhares não me importavam. As palavras não faziam efeito. E todo resto não havia importancia.
Era tudo limbo.
Era tudo caos.
Era tudo triste comparado a você.

Teu sorriso.
Teu olhar.
Teu espírito.
Teus beijos.
Teus toques.
Eram meus.

Quando os perdi.
Foi um tiro no limbo.

25 de novembro de 2011

Ruidosos e prepotentes.

Via-se nas frestras das paredes uma gosminha branca, meio esverdeada, era uma noite chuvosa, e o teto pingava sobre minha testa.
Eu senti por algum momento que a merda ia transbordar. Que tudo ia por água abaixo. Um dilúvio de insanidades. Eu fumava, bebia e comia ao mesmo tempo.
Naquele mesmo dia eu estava insatisfeita com tudo. A conta no banco era mais vermelha que sangue, a casa um tormento, a comida apodrecendo e eu viajando nos pensamentos.
Os cacos de vidro faziam reluzir umas formas legais pelo cômodo apertado. E eu ali parada olhando aquilo tudo.
As mãos tremiam, os pés formigavam, a bunda doía, a cabeça rodava, mas eu não mudava de posição por pura preguiça.
Quando parou de chover e a gosma branca esverdeada secou, eu resolvi que estava na hora de me levantar e fazer algo acontecer. Já havia pensado demais.
Lavei a louça, organizei as roupas, varri, passei pano, tirei o lixo, pulei, gritei, esperneei...
Eu podia ver o sangue pulsar... Eu podia ver tudo acontecer. as moléculas passavam na minha frente, sem me incomodar.
O espelho passou a refletir minhas inperfeições, e foi ali que decidi tomar um banho, passar uma maquiagem e me arrumar.
Sai.
Dei um, dois, três passos...
Resolvi voltar.
Um, dois, três...
Não sei o que faço.
Era horrivel não decidir. Não ter certeza. Ficar em dúvida.Ver o sangue saltando, o coração pulsando novamente.
Um, dois...
Fui até o bar mais próximo e pedi uma dose.
Naquela dose, tudo desmoronou.
Então me perdi por dias.
Quando retornei, a casa era um tormento, a comida apodrecia e meus pensamentos gritavam "saia daqui" mas meu coração implorava pra que ficasse.

30 de março de 2011

Ex-publicações...

"Mais uma vez, me faço calar.
Porque será no papel,
Aqueles brancos caídos...
É lá que eu vou gritar."

daqui uns dias tem mais... prometo-lhes!

comprem o livro!!!!