26 de junho de 2016

Corre, escorre...

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Teus odores, meus amores, 
Tuas tranças que contornam os ombros,
Trouxeram em mim, um outro olhar,
Talvez um movimento não-linear.
Talvez uma guerra em mim, em nós...
Toda fúria se espalha,
Tendo em vista uma revolução, quando tudo é profetização...
Teu ventre sangra, 
Tua boca chama, nas ruas gritam, ecoam a canção.

Tudo que era cinza, cinzas, bitucas, se foram, correram.
Tudo têm-se feito vermelho, 

Tensão que pulsa no corpo, na alma, no gueto.
Talhando a vida daquela que briga pelo menor
Teus braços adormecem
Tuas pernas bambeiam
Teu corpo enlouquece
Teu corpo vermelho.
Sangra...
Liberta...
Sangra a vida
Sangra a alma
Sangra o ventre.
Tua luta,
Tua glória,
Teu repente.

7 de dezembro de 2015

Fúria

Querida V.

Um vento gelado entra sutilmente pela janela, deixando os pelos do meu corpo arrepiados.
Eu tentei escrever algo, mas as dores que eu sentia eram intensas. 
Na noite anterior eu fui nocauteada por um infortúnio da natureza. 
Tudo vai doer por mais alguns dias.

Quando eu paro para pensar em tudo o que já passei por essa vida, deixando a nostalgia me levar pra lugares longes, eu volto assim meio cansada, meio triste. Você sabe como é.

Preciso te contar...
Um dia eu tentei ser tudo o que eu odeio.
Um dia eu tentei ser o que as pessoas esperam que eu seja.
Fui tão infeliz nessa tentativa, que preferi me desconectar desse mundo que me parece tão maldito e cruel.

Você percebeu que eu voltei a ler, voltei a escrever... mas ainda não decidi se voltarei a ter algum outro tipo de movimento auto destrutivo, já que ler e escrever geralmente acabam com a gente.
Colocar a mente pra trabalhar não é pra qualquer um...

Eu tenho minhas convicções, meus desejos, minhas inspirações, meus ideais. Só não esperava que isso fosse enfurecer tanto as pessoas que me rodeavam e todas as outras do mundo.

Quando decidi que não mais seria o que elas esperavam de mim, parecia que eu iria voltar a ser o que eu era antes...
Mas as pessoas não entendem que depois de uma experiencia tão caótica, é impossível sermos exatamente o que éramos antes. Parece que nem você entendeu isso ainda.

Por isso estou aqui.
Cuspindo essas palavras enquanto os pelos do meu corpo ficam em pé...
Já não sei se é por causa do vento gelado ou por causa do frio na barriga que dá todas as vezes que penso que algo está para mudar.

Mudança é algo sempre complicado.
Mas não vou me deixar levar pelo o que o mundo espera de mim.

Por isso estou partindo.
Vou pra onde eu possa ser quem eu quiser.
Não me espere.

Love.
C.














30 de outubro de 2015

O tamanho do meu mundo.

Para ler ouvindo: Freak


Meu mundo costumava ser imenso.
Cheio de curvas, estradas intermináveis e lugares incríveis e infinitos.

Um dia, eu encontrei um precipício em meu mundo... me aventurei na descida... quase caí diversas vezes...
Eu ia cada vez mais fundo...
Então eu parei. olhei para o alto. Olhei para baixo. Senti medo.
Decidi voltar.
Em terra firme, fui em busca de outros lugares...

No meu mundo haviam pessoas que diziam mil coisas... Inclusive que meu mundo era grande demais para mim.
Sim, meu mundo costumava ser imenso... E eu adorava explora-lo, conhece-lo, inventa-lo e reinventa-lo.

A cada volta, meu mundo ia ficando menor. Então, chegou um momento em que eu já conhecia cada canto daquele mundo...
Ele então ficou pequeno... não havia mais onde ver coisas novas.
Decidi mudar meu mundo.
Comecei com essas pequenas mudanças...
Trocando olhares, inventando novas estradas.

Foi numa das conversas com pessoas do meu mundo que falei: "Tenho uma imensa vontade de mudar o mundo."

Percebi então que as pessoas que ali habitavam não queriam que eu mudasse aquele mundo tão imenso para elas... 
E para elas era imenso porque não saíam do lugar onde estavam... Enquanto eu percorria cada canto daquele mundo... até no abismo me meti!

Então decidi diminuir meu mundo... 
Deixei poucas pessoas nele. 
Poucos lugares a serem explorados... Foi uma grande mudança para o mundo que eu o diminuísse tanto...

Mas a vida é tão engraçada que ao tentar percorrer as novas estradas que criei em meu mundo, pessoas novas foram surgindo e precisei aumentar meu mundo.
Então ele foi crescendo, e crescendo e está crescendo a cada dia...
Ah mundo... Você cresceu sem eu sentir...

Então cá estou percorrendo esse mundo novo...
E então, decido explorar novos lugares...

Vê? Meu mundo já foi imenso. Já foi pequenininho. E agora está crescendo de novo...
Quero muda-lo sempre... E essa mudança só eu posso fazer porque é o meu mundo.
Mas tem sempre alguém para dizer que o mundo é grande demais pra ser mudado por uma única pessoa.

Bem, vou então mudar o meu mundo em silêncio. Assim, talvez, as pessoas ao meu redor parem de dizer qual é o tamanho do meu mundo e me deixem muda-lo em paz.



Afinal... No meu mundo, mando eu.

#meumundo
#meucorpominhasregras

21 de julho de 2015

Orvalho

Pela manhã, olhando-se no espelho, notou algumas novas rugas ao redor dos olhos escurecidos pela insonia.
Fazia muito tempo desde a ultima vez em que se sentira dessa maneira. 
O gosto do desejo ainda percorria cada canto de sua boca, era de um aroma suave e delicado.
Ela passou os dedos pelos cabelos, sujos pelo suor da noite passada.
Finalmente decidiu entrar no banho.
Fez o que tinha de ser feito com  atenção aos detalhes.
Tomou um café preto, sentiu uma breve vontade de acender um cigarro, mas se conteve... Não voltaria a fumar e estava decidida...
Carmen, era jovem mas experiente, curvilínea, com longos cabelos, e costumava usar roupas curtas... Era do tipo tomboy, se dava melhor com homens, bebeu cerveja melhor que ninguém durante anos. Com o tempo foi se afastando de tudo o que diziam que fazia mal à ela... Especialmente os amores.
Talvez fosse por conta de tantas histórias de quase morte, em que mais de uma vez se entregou às vontades do corpo.

Pensou nisso tudo durante aquela manhã de temperatura amena.
No caminho para o trabalho, ela pensava em como equilibrar a nova vida.
Não queria mais se entregar, mas sentia falta da emoção que é viver diante de um abismo.
Aumentou o volume da música e decidiu esquecer a ideia.
Lembrou da noite anterior, em que se entregou ao desejo.
Lembrou dos antigos escritos... Jamais havia citado seu nome antes. Sentia-se viva, apesar de ter morrido tantas vezes.
De uma vez por todas decidiu estar livre. Se entregaria àquele desejo quantas vezes fosse possível, mas não sucumbiria ao apego por ele. Queria evitar sofrimentos.
De repente, um toque desviou os pensamentos. Conhecia aquele toque, sentiu aquele toque a noite inteira. O corpo arrepiado por um instante e em uma volta os cabelos a cegaram.
Ele afastou os fios de seu rosto com delicadeza e perguntou se estava tudo bem.
Ela enrubesceu e apenas acenou com a cabeça.
O caminho era curto e ela andava a passos rápidos. Tentando fugir dos seus pensamentos. Os carros passavam rápidos pela avenida e ela transitava com segurança em meio a eles. 
Carmen chamava atenção por onde andava. Apesar dos pequenos defeitos que constantemente a assombrava, homens e mulheres a olhavam com admiração.
Decidiu afastar de vez aqueles pensamentos apertando o passo. Chegou exausta.
Bebeu um gole de água, longo e voraz.
E passou o dia batalhando com seus pensamentos.
Um turbilhão de pensamentos.
No fim do dia ela estava sempre exausta.
Uma guerra intensa.
Carmen perdia lentamente.



Para ler ouvindo - Carmen


2 de janeiro de 2015

Luminâncias



Em meio as árvores de grandes copas, sussurrava a natureza. 
O sol queimava cada pedaço de ser vivo, tocando suave com luz ardente e deixando evaporar as gotículas de água.
Tudo sublime demais.
O canto dos grilos morrendo, dos pássaros fazendo seus ninhos, das formigas carregando dez vezes o seu peso. 
As flores iam murchando por conta do calor e o som disso tudo ia contagiando o ambiente todo. 
Deixa ver quais as cores te fazem sorrir.
Os sabores dos frutos, os cheiros dos temperos que aguçam sua fome de viver.
As cores dos sentimentos profundos...
Colore a vida num sonho.
Deixando as luminâncias tingirem sua alma.