- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Naquela noite fria, ela se contorceu na cama. Sentia-se extremamente inquieta.
Os olhos cintilavam; o sorriso era largo.
Ela ia e voltava na minha mente, e o tempo mostrou‑se cruel.
Umedecia os lábios, acelerava o passo, que seguiam largos, apressados.
Quando enfim encontrou o que buscava, se entregou com gula até saciar‑se. As pernas cederam, a boca secou, as mãos fraquejaram.Refletiu sobre as insanidades de uma vida inteira; silenciou a mente, absorvendo o coma em que existira. Pensava ter sonhado. Desde aquela noite, já não se reconhecia: cada gesto soava estrangeiro. Ainda assim, a realidade lhe estapeava o rosto.
Ao cair da noite, vinham o enjoo, o pavor das grades invisíveis. Queria sair, mas não podia. Queria gritar, mas a voz não saía. Submetia‑se, cabeça baixa. O toque era delicado, embora pesado.
O gemido apertava‑lhe o peito; a nudez da alma surgia nos olhos, espectral.
Outra vez se contorceu na cama, mergulhou num banho gelado, vestiu‑se, escolheu o batom que rimava com as unhas e saiu, apressada, toda cheia de voluptuosidade, em busca de novo coma.
Voltaria em alguns meses.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos

Comentários
Postar um comentário